A cidadania madura expressa-se também na capacidade de ver para além das nossas afinidades políticas. Estou certo que daqui a 100 anos os historiadores terão uma opinião formada sobre o Cunhal histórico. Hoje, poucos nomes me ocorreria que melhor pudessem testar a maturidade da nossa blogosfera do que o de Cunhal.
Entre todas coisas que li sobre Cunhal nos meus blogues de referência, destaco estas. Faço-o porque - numa demonstração efectiva da complexidade de qualquer personagem histórico - acho que são todas verdade!
"Uma coisa não lhe perdoo: a cegueira, quando já todos víamos o que se passava. A persistência no erro, quando era evidente que a revolução soviética há muito se transformara numa perversa caricatura burocrática de si mesma."
Blogue de Esquerda
"o fascínio dos portugueses pelos ditadores, efectivos ou tentados, não é uma página velha e negra da nossa história: é a nossa história."
Homem a dias
"Enquanto ainda vislumbro a sua sombra movendo-se nos canaviais da outra margem não farei o panegírico gratuito nem a crítica áspera da sua obra política. Gostei de o ouvir falar de pintura numa tarde estiolada no venerável Paulo Quintela, os seus garbosos anos enfrentando a repleção admirada de gente. Até sempre!"
Daedalus
"Cunhal foi «coerente» e «convicto». E depois? Salvo as devidas proporções, Hitler foi coerente e convicto. Saloth Sar, mais conhecido por Pol Pot, também. Mao Tse Tung aussi. Estaline, então, nem se fala. Cunhal foi um homem coerente mas foi-o, quase sempre, pelas piores razões."
Contra a corrente
"Eu não gosto de biografias, obituários, elogios póstumos nem nada dessas coisas.
Mas hoje farei uma excepção. A Álvaro Cunhal."
Dito Cujo
"Os meus heróis não são perfeitos."
Barnabé
"Politicamente, foi um vencido. Tal com Salazar, professou valores rígidos e assistiu em vida ao esboroar do "seu" mundo. Viu o comunismo morrer por todo o lado"
Blasfémias
"Álvaro Cunhal lutou, equivocou-se, lutou, errou, lutou, falhou… lutou, até ao fim.Manteve-se fiel ao seu sonho de jovem combatente revolucionário. O mesmo não podem dizer muitos dos seus “homenageadores”, para quem cada dia é mais um dia de ajuste de contas com a sua juventude."
Causasperdidas, citado no Blogue de Esquerda
"Morreu ontem, esquecido e trivializado, Álvaro Cunhal. A gente que o demonizava, e com toda a razão, em 1975, há quinze anos que lhe tinha perdido o medo e o respeito. (...) Embora preso, "o Álvaro", como herói, morreu de facto nessa época e foi enterrado com as revelações de Khrushchev ao XX Congresso do Partido Comunista Russo. A fuga de Peniche e o Rumo à Vitória pertenceram já à história de Cunhal."
Vasco Pulido Valente, no Público, transcrito no Contra a Corrente
"A Cunhal devo a liderança na luta contra a ditadura; a Soares devo a liderança na luta contra Cunhal (...). Aos outros – descendentes de Spínola e de Freitas do Amaral e de Adriano Moreira e de Manuel Monteiro e de Paulo Portas e de Avelino Ferreira Torres – ninguém deve historicamente nada de relevante neste país. Antes alimentavam-se do orçamento de Salazar; depois esconderam-se atrás de Soares. Agora blogam."
Glória Fácil
"Pode-se dizer que o homem amava mais a URSS do que Portugal, que apoiou os Gulags, a invasão da Checoslovaquia, que ajudou a derrotar Salazar, certamente, mas para instaurar um regime ainda pior, de raíz marxista e estalinista, que apoiou nacionalizações, perseguições, que recusou ver o óbvio aquando da Queda do Muro de Berlim, que impediu a renovação no PCP, impondo sempre o «voto no ar» e promovendo os «delitos de opinião». (...) comunistas como Cunhal já não há: amanhã vão todos ao Colombo ao hiper encher o carrinho de compras, pagar IVA sobre os bens e Imposto do Selo sobre os juros do cartão de crédito. (...) Hoje, a maior parte dos comunistas são escravos do capitalismo que renegam. (...) Cunhal, esse, precisou de morrer para voltar a ser recordado. Porque, mesmo vivo, ele já só era uma figura histórica."
Blasfémias
"(...) “grande patriota”; “grande coerência”. Desde quando os comunistas são patriotas? O comunismo não é uma corrente universalista que, precisamente, queria desfazer as nações e unir os homens nunca grande irmandade? (...) a coerência teórica de um comunista causa sempre tirania.
(...) Hoje tenho liberdade porque uns militares de carreira fartaram-se de ser milicianos e de morrerem numa guerra sem vitória possível.
(...) Ainda hoje algumas pessoas pensam o mundo com um raciocínio com mais de 70 anos. Que raciocínio é esse? Fácil: “Se te atreveres a criticar o comunismo, então, és fascista”."
Água Lisa 3
"Álvaro Cunhal optou por dedicar a sua vida política pós-25 de Abril à tarefa de «guardião da fé». Uma escolha legítima, sem dúvida, mas que teve consequências muito claras. Para ser guardião da fé, Cunhal abdicou do poder político executivo e da prática política que lhe está associada.Um preço demasiado alto."
Bloguítica
"Salazar e Cunhal tinham basicamente as mesmas ideias sobre as liberdades pessoais e económicas. Eram ambos contra as liberdades políticas e económicas e no "political compass" caíriam os dois naquele pontinho vermelho cá em baixo.Escolher entre Salazar e Cunhal ou entre comunismo e fascismo é um falso dilema. A atitude perante a liberdade destes dois personagens e destes dois totalitarismos é a mesma."
Blasfémias
Tese + Antítese = Síntese. Espaço de reflexão sobre a actualidade. Media, política e jornalismo.
quinta-feira, junho 16, 2005
quarta-feira, junho 15, 2005
Sobre blogues
No e-cuaderno, está referência a uma revista do Instituto Humanitas Unisinos da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (que nome!), Brasil, onde consta um extenso conjunto de entrevistas sobre o mundo dos blogues (ou os blogues no mundo...). Parece-me interessante.
Também interessante, o guia legal para bloggers da Electronic Frontier Foundation citado pelo Jornalismo e Comunicação.
Também interessante, o guia legal para bloggers da Electronic Frontier Foundation citado pelo Jornalismo e Comunicação.
segunda-feira, junho 13, 2005
Estou curioso...
Da praia e sem rede directamente para um tsunami de trabalho, estou curioso para ver como é que blogosfera reage à morte de Álvaro Cunhal. Uma vez que Mário Soares ainda é vivo e quando Salazar morreu ainda não havia net, Cunhal é o primeiro grande teste à maturidade da blogosfera. Voltarei ao tema.
quarta-feira, junho 08, 2005
PSD Madeira aplaude de pé as declarações de Alberto João Jardim
"A Assembleia Legislativa da Madeira congratula-se com o modo, mais uma vez firme, como o presidente do Governo Regional denunciou comportamentos na comunicação social de Lisboa, os quais atentam contra os direitos, liberdades e garantias dos portugueses."
Portugal Diário, 8/6/05, 12.48h
Para que conste, estes são os nomes que devemos continuar a acompanhar daqui para a frente. Agora já sabemos quem eles são e como eles são. Se algum destes senhores não se levantou ou não bateu palmas, faça favor de o dizer. Ainda vai a tempo de se demarcar.
- José Óscar de Sousa Fernandes
- Ivo Sousa Nunes
- José Lino Tranquada Gomes
- João Carlos Cunha e Silva
- Sílvio Sousa Santos
- Jaime Ernesto Vieira Ramos
- António Alberto Monteiro de Aguiar
- Maria Margarida Teixeira de Aguiar Rodrigues Camacho
- Maria da Nazaré Sousa de Oliveira Serra Alegra
- Jorge Eduardo Ferreira Moura
- José Luís Medeiros Gaspar
- Maria Fernanda Dias Cardoso
- Maria do Carmo Homem Costa de Almeida
- Rui Emanuel Baptista Fontes
- Gilberto Diamantino Abreu Pita
Portugal Diário, 8/6/05, 12.48h
Para que conste, estes são os nomes que devemos continuar a acompanhar daqui para a frente. Agora já sabemos quem eles são e como eles são. Se algum destes senhores não se levantou ou não bateu palmas, faça favor de o dizer. Ainda vai a tempo de se demarcar.
- José Óscar de Sousa Fernandes
- Ivo Sousa Nunes
- José Lino Tranquada Gomes
- João Carlos Cunha e Silva
- Sílvio Sousa Santos
- Jaime Ernesto Vieira Ramos
- António Alberto Monteiro de Aguiar
- Maria Margarida Teixeira de Aguiar Rodrigues Camacho
- Maria da Nazaré Sousa de Oliveira Serra Alegra
- Jorge Eduardo Ferreira Moura
- José Luís Medeiros Gaspar
- Maria Fernanda Dias Cardoso
- Maria do Carmo Homem Costa de Almeida
- Rui Emanuel Baptista Fontes
- Gilberto Diamantino Abreu Pita
terça-feira, junho 07, 2005
This Mortal Coil
Recomendo vivamente esta trilogia. Não tem nada de novo, nenhum dos discos foi editado agora, não há nenhuma efeméride a comemorar. Mas cada vez que pego num destes discos volto a ficar espantado com a beleza que eles encerram. Muitos anos depois, a surpresa continua a ser a mesma, espreitando ao virar de cada canção.
Para provar que a música também pode ser bigger than life.

Blood
Para provar que a música também pode ser bigger than life.

Blood
RSS em Português
Através do JornalismoPortoNet descobri finalmente um conjunto mais vasto de feeds RSS portugueses para além dos 4 do costume. Boa descoberta. Obrigado Carlos Jorge Andrade. Interessante é também o Buzz Index que permite visualizar quais os assuntos mais abordados.
Um link cujas evoluções merecem acompanhamento.
Um link cujas evoluções merecem acompanhamento.
China contra os blogues
A China vai obrigar todos os blogues e sites de internet a registarem-se juntos das autoridades, naquela que é vista como a derradeira tentativa para controlar a dissidência online.
A Reporters Withou Frontiers lançou o alerta (cit. por Dan Gillmor).
O Blog Herald, por seu lado, afirma que até ao momento apenas 10% dos blogues chineses já se registaram.
A Reporters Withou Frontiers lançou o alerta (cit. por Dan Gillmor).
O Blog Herald, por seu lado, afirma que até ao momento apenas 10% dos blogues chineses já se registaram.
Referendo europeu
Será que ainda não é desta...
A suspensão dos referendo inglês (ou a eventual suspensão do referendo português) é uma falta de respeito para com os respectivos eleitores. Porque razão hão-de os franceses ou holandeses ter mais direitos políticos do que eu?
Mais : a não realização dos restantes referendos previstos é uma ainda maior falta de respeito para com os espanhóis. Por acaso o voto de um espanhol é menos que o voto de um francês?
O "não" ao tratdo em França não é um problema dos portugueses ou dos espanhóis. É em primeiro lugar um problema da Europa como um todo e depois um problema dos franceses. São os franceses que têm que arranjar maneira de não ficar para trás. Não é a Europa que tem que não seguir em frente.
A suspensão dos referendo inglês (ou a eventual suspensão do referendo português) é uma falta de respeito para com os respectivos eleitores. Porque razão hão-de os franceses ou holandeses ter mais direitos políticos do que eu?
Mais : a não realização dos restantes referendos previstos é uma ainda maior falta de respeito para com os espanhóis. Por acaso o voto de um espanhol é menos que o voto de um francês?
O "não" ao tratdo em França não é um problema dos portugueses ou dos espanhóis. É em primeiro lugar um problema da Europa como um todo e depois um problema dos franceses. São os franceses que têm que arranjar maneira de não ficar para trás. Não é a Europa que tem que não seguir em frente.
sexta-feira, junho 03, 2005
Os 10 livros mais prejudiciais de sempre
Cortesia do Bicho Carpinteiro, aqui está a lista dos 10 livros mais prejudiciais de sempre segundo um painel de "direitistas" americanos. Parece-me sintomático que sejam também, provavelmente, 10 dos mais importantes de sempre. As ideias realmente fortes têm os efeitos mais imprevisíveis e, se têm muitos, não seria de esperar que fossem todos bons...
Abaixo os políticos
No espaço de apenas algumas horas recebi por e-mail três mensagens (duas delas do mesmo grupinho) críticas da classe política, sedimentadas num desencanto profundo e despoletadas pelas medidas de austeridade decretadas. São três mensagens que demonstram como, em vez de fazerem algo, os protugueses gostam mesmo é de dizer mal "deles":
"-----Mensagem original-----De: agp.bd [mailto:agp.bd@netcabo.pt] Enviada: sexta-feira, 3 de Junho de 2005 13:58Para: agp.bd@netcabo.ptAssunto: FW: Luto por Portugal
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 01, 2005 5:56 PM
Subject: Fwd: FW: Manif
Como é sabido de todos, foi necessário um político pedir aos portugueses para se unirem durante o EURO 2004 e pôr uma bandeira de Portugal na janela
O povo uniu-se por uma causa e para dignificar o país.
Agora é tempo de nova união.
Guardemos as bandeiras, e vamos todos pôr uma bandeira negra, luto em forma de protesto, em nome do momento negro que atravessamos e do que ainda virá, fruto de uma má gestão por parte dos sucessivos governos, que continuam a gastar o que não têm, em prole das mordomias sem as quais não conseguem viver.
Dia 10 de Junho, façamos luto por Portugal, bandeira negra na
janela por todo o país.
Passe esta mensagem a todos os seus conhecidos, pois Portugal é dos Portugueses.
Não deixemos que meia dúzia de políticos corruptos e
incompetentes com os seus amigos, esses sim já uns milhares, continuem a gozar connosco."
--------------------------------------------------------------------------------------------
"-----Mensagem original-----De: fernando manuel assunção gil oliveira [mailto:fgiloliveira_eng@sapo.pt] Enviada: sexta-feira, 3 de Junho de 2005 14:40Para: paulo pereira TOP; toni santos silva; Diogo Almeida Santos; Jose Arnaldo Pimenta; Miguel Peixoto; joao nunes oliveira; toca; joao antonio almeida ferreira goncalves; ana margarida gil oliveira; joao carlos gil oliveira; joao mario loureiro; joao almeida Ferreira; Manuel J Carvalho; Luis Caetano; Auto Magazine; ANET - Centro; Maria Teresa A.PintoAssunto: Fw: Nem tudo vai mal nesta nossa República...]
----- Original Message -----
From: Fernando Tenreiro
To: fgiloliveira_eng@sapo.pt
Sent: Thursday, June 02, 2005 5:36 PM
Subject: FW: Nem tudo vai mal nesta nossa República...]
Nem tudo vai mal nesta nossa República...
Meus amigos,
NESTE ASPECTO, AS APROVAÇÕES NA A.R. SÃO SEMPRE POR UNANIMIDADE. É A UNICA VEZ QUE ESTÃO TODOS DE
ACORDO, PARA SALVAGUARDAR O "TACHO".
CUMPRIMENTOS PARA TODOS
Nem tudo vai mal nesta nossa República
(Pelo menos para alguns)
Com as eleições legislativas de 20/Fevereiro, metade dos 230 deputados não foram eleitos.
Os que saíram regressaram às suas anteriores actividades. Sem, contudo saírem tristes ou cabisbaixos.
Quando terminam as funções, os deputados e governantes têm o direito, por Lei (deles) a um subsídio que dizem de reintegração:
- um mês de salário (3.449 euros) por cada seis meses de Assembleia ou governo.
Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano recebe dois salários (6.898 euros). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe vinte salários (68.980 euros).
Feitas as contas e os deputados que saíram o Erário Público desembolsou mais de 2.500.000 euros.
No entanto, há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias ou pensões de reforma (mesmo que não tenham 60 anos). Estas são atribuídas aos titulares de cargos políticos com mais de 12 anos.
Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos figuras como:
- Almeida Santos ........................... 4.400, euros;
- Medeiros Ferreira ....................... 2.800, euros;
- Manuela Aguiar .......................... 2.800, euros;
- Pedro Roseta ................................ 2.800, euros;
- Helena Roseta .............................. 2.800, euros;
- Narana Coissoró ........................... 2.800, euros;
- Álvaro Barreto .............................. 3.500, euros;
-Vieira de Castro ............................. 2.800, euros;
- Leonor Beleza .............................. 2.200, euros;
- Isabel Castro ................................. 2.200, euros;
- José Leitão .................................... 2.400, euros;
- Artur Penedos ............................... 1.800, euros;
- Bagão Félix ................................... 1.800, euros.
Quanto aos ilustres reintegrados, encontramos os seguintes:
- Luís Filipe Pereira ........................ 26.89, euros / 9 anos de serviço;
- Sónia Fortuzinhos ........................ 62.000, euros / 9 anos e meio de serviço;
- Maria Santos ................................ 62.000, euros /9 anos de Serviço;
- Paulo Pedroso ............................. 48.000, euros /7 anos e meio de serviço;
- David Justino ............................... 38.000, euros /5 anos e meio de serviço;
- Ana Benavente ............................ 62.000, euros/9 anos de serviço;
- Mª Carmo Romão ...................... 62.000, euros /9 anos de serviço;
- Luís Nobre Guedes ..................... 62.000, euros/ 9 anos e meio de serviço.
A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente a última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido cerca de 20.000, euros cada.
É assim a nossa República !!!!!!!!!!!!!!!!..............
E acrescentava ainda mais.
Para estes meninos,
é necessário diminuir a despesa pública com os vencimentos dos funcionários públicos que ganham menos de 5 vencimentos minimos/mês,
para poder manter e/ou aumentar os vencimentos de alguns funcionários públicos (aqueles que tem SUPERvencimentos/mês,
fora as alcavalas, e que não são tão poucos como isso) , sem aumentar o "déficit" público."
---------------------------------------------------------------------------------------------
" -----Mensagem original-----De: fernando manuel assunção gil oliveira [mailto:fgiloliveira_eng@sapo.pt] Enviada: quinta-feira, 2 de Junho de 2005 2:13Para: paulo pereira TOP; fernando tenreiro; toni santos silva; Diogo Almeida Santos; Jose Arnaldo Pimenta; Miguel Peixoto; joao nunes oliveira; toca; joao carlos gil oliveira; joao mario loureiro; joao almeida Ferreira; Manuel J Carvalho; Luis Caetano; Auto Magazine; ANET - Centro; Maria Teresa A.PintoAssunto: Fw: Proposta ao Sr Primeiro Ministro (para reflectir)
----- Original Message -----
From: Ana Gil gmail
To: Undisclosed-Recipient:;
Sent: Wednesday, June 01, 2005 7:54 PM
Subject: Proposta ao Sr Primeiro Ministro (para reflectir)
Caro Sr. Primeiro-Ministro.
Venho por meio desta comunicação manifestar meu total apoio ao seu esforço de modernização do nosso país. Como cidadão comum, não tenho muito mais a oferecer além do meu trabalho, mas já que o tema da moda é Reforma Tributária, percebi que posso definitivamente contribuir mais.Vou explicar: Na actual legislação, pago na fonte 31% do meu salário (20% para o IRS e 11% para a Segurança Social).Como pode ver, sou um cidadão afortunado.Cada vez que eu, no supermercado, gasto o que o meu patrão me pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19% para si (31%+19%)Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro para o governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanha eleitoral.Mas o meu patrão é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75% daquilo que me paga para a Segurança Social. E ainda 33% para o Estado (50%+23,75%+33%).Além disso quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.Minha sugestão, é invertermos os percentuais.
A partir do próximo mês autorizo o Governo a ficar com 100% do meu salário.Funcionaria assim:
Eu fico com 6,75% limpinhos, sem qualquer ónus, mas o Governo fica com as minhas contas de:- Despesas Escolares,- Seguro de Saúde,- Despesas médicas, - Medicamentos,- Materiais escolares,- Condomínio,- Água,- Luz,- Telefone,- Energia,- Supermercado,- Gasolina,- Vestuário,- Lazer,- Portagens,- Cultura,- Contribuição Autárquica,- IVA,- IRS,- IRC,- Imposto de Circulação- Segurança Social,- Seguro do carro,- Inspecção Periódica,- Taxas do Lixo, reciclagem, esgotos e saneamento- E todas as outras taxas que nos impinge todos os dias.- Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura seja repentinamente criada por qualquer dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.Um abraço Sr. Primeiro-Ministro e muito boa sorte, do fundo do coração!Ass: Um trabalhador que já não mais sabe o que fazer para conseguir sobreviver com dignidade.PS: Quem sabe, podemos até negociar a percentagem!!!"
"-----Mensagem original-----De: agp.bd [mailto:agp.bd@netcabo.pt] Enviada: sexta-feira, 3 de Junho de 2005 13:58Para: agp.bd@netcabo.ptAssunto: FW: Luto por Portugal
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 01, 2005 5:56 PM
Subject: Fwd: FW: Manif
Como é sabido de todos, foi necessário um político pedir aos portugueses para se unirem durante o EURO 2004 e pôr uma bandeira de Portugal na janela
O povo uniu-se por uma causa e para dignificar o país.
Agora é tempo de nova união.
Guardemos as bandeiras, e vamos todos pôr uma bandeira negra, luto em forma de protesto, em nome do momento negro que atravessamos e do que ainda virá, fruto de uma má gestão por parte dos sucessivos governos, que continuam a gastar o que não têm, em prole das mordomias sem as quais não conseguem viver.
Dia 10 de Junho, façamos luto por Portugal, bandeira negra na
janela por todo o país.
Passe esta mensagem a todos os seus conhecidos, pois Portugal é dos Portugueses.
Não deixemos que meia dúzia de políticos corruptos e
incompetentes com os seus amigos, esses sim já uns milhares, continuem a gozar connosco."
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"-----Mensagem original-----De: fernando manuel assunção gil oliveira [mailto:fgiloliveira_eng@sapo.pt] Enviada: sexta-feira, 3 de Junho de 2005 14:40Para: paulo pereira TOP; toni santos silva; Diogo Almeida Santos; Jose Arnaldo Pimenta; Miguel Peixoto; joao nunes oliveira; toca; joao antonio almeida ferreira goncalves; ana margarida gil oliveira; joao carlos gil oliveira; joao mario loureiro; joao almeida Ferreira; Manuel J Carvalho; Luis Caetano; Auto Magazine; ANET - Centro; Maria Teresa A.PintoAssunto: Fw: Nem tudo vai mal nesta nossa República...]
----- Original Message -----
From: Fernando Tenreiro
To: fgiloliveira_eng@sapo.pt
Sent: Thursday, June 02, 2005 5:36 PM
Subject: FW: Nem tudo vai mal nesta nossa República...]
Nem tudo vai mal nesta nossa República...
Meus amigos,
NESTE ASPECTO, AS APROVAÇÕES NA A.R. SÃO SEMPRE POR UNANIMIDADE. É A UNICA VEZ QUE ESTÃO TODOS DE
ACORDO, PARA SALVAGUARDAR O "TACHO".
CUMPRIMENTOS PARA TODOS
Nem tudo vai mal nesta nossa República
(Pelo menos para alguns)
Com as eleições legislativas de 20/Fevereiro, metade dos 230 deputados não foram eleitos.
Os que saíram regressaram às suas anteriores actividades. Sem, contudo saírem tristes ou cabisbaixos.
Quando terminam as funções, os deputados e governantes têm o direito, por Lei (deles) a um subsídio que dizem de reintegração:
- um mês de salário (3.449 euros) por cada seis meses de Assembleia ou governo.
Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano recebe dois salários (6.898 euros). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe vinte salários (68.980 euros).
Feitas as contas e os deputados que saíram o Erário Público desembolsou mais de 2.500.000 euros.
No entanto, há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias ou pensões de reforma (mesmo que não tenham 60 anos). Estas são atribuídas aos titulares de cargos políticos com mais de 12 anos.
Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos figuras como:
- Almeida Santos ........................... 4.400, euros;
- Medeiros Ferreira ....................... 2.800, euros;
- Manuela Aguiar .......................... 2.800, euros;
- Pedro Roseta ................................ 2.800, euros;
- Helena Roseta .............................. 2.800, euros;
- Narana Coissoró ........................... 2.800, euros;
- Álvaro Barreto .............................. 3.500, euros;
-Vieira de Castro ............................. 2.800, euros;
- Leonor Beleza .............................. 2.200, euros;
- Isabel Castro ................................. 2.200, euros;
- José Leitão .................................... 2.400, euros;
- Artur Penedos ............................... 1.800, euros;
- Bagão Félix ................................... 1.800, euros.
Quanto aos ilustres reintegrados, encontramos os seguintes:
- Luís Filipe Pereira ........................ 26.89, euros / 9 anos de serviço;
- Sónia Fortuzinhos ........................ 62.000, euros / 9 anos e meio de serviço;
- Maria Santos ................................ 62.000, euros /9 anos de Serviço;
- Paulo Pedroso ............................. 48.000, euros /7 anos e meio de serviço;
- David Justino ............................... 38.000, euros /5 anos e meio de serviço;
- Ana Benavente ............................ 62.000, euros/9 anos de serviço;
- Mª Carmo Romão ...................... 62.000, euros /9 anos de serviço;
- Luís Nobre Guedes ..................... 62.000, euros/ 9 anos e meio de serviço.
A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente a última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido cerca de 20.000, euros cada.
É assim a nossa República !!!!!!!!!!!!!!!!..............
E acrescentava ainda mais.
Para estes meninos,
é necessário diminuir a despesa pública com os vencimentos dos funcionários públicos que ganham menos de 5 vencimentos minimos/mês,
para poder manter e/ou aumentar os vencimentos de alguns funcionários públicos (aqueles que tem SUPERvencimentos/mês,
fora as alcavalas, e que não são tão poucos como isso) , sem aumentar o "déficit" público."
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" -----Mensagem original-----De: fernando manuel assunção gil oliveira [mailto:fgiloliveira_eng@sapo.pt] Enviada: quinta-feira, 2 de Junho de 2005 2:13Para: paulo pereira TOP; fernando tenreiro; toni santos silva; Diogo Almeida Santos; Jose Arnaldo Pimenta; Miguel Peixoto; joao nunes oliveira; toca; joao carlos gil oliveira; joao mario loureiro; joao almeida Ferreira; Manuel J Carvalho; Luis Caetano; Auto Magazine; ANET - Centro; Maria Teresa A.PintoAssunto: Fw: Proposta ao Sr Primeiro Ministro (para reflectir)
----- Original Message -----
From: Ana Gil gmail
To: Undisclosed-Recipient:;
Sent: Wednesday, June 01, 2005 7:54 PM
Subject: Proposta ao Sr Primeiro Ministro (para reflectir)
Caro Sr. Primeiro-Ministro.
Venho por meio desta comunicação manifestar meu total apoio ao seu esforço de modernização do nosso país. Como cidadão comum, não tenho muito mais a oferecer além do meu trabalho, mas já que o tema da moda é Reforma Tributária, percebi que posso definitivamente contribuir mais.Vou explicar: Na actual legislação, pago na fonte 31% do meu salário (20% para o IRS e 11% para a Segurança Social).Como pode ver, sou um cidadão afortunado.Cada vez que eu, no supermercado, gasto o que o meu patrão me pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19% para si (31%+19%)Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro para o governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanha eleitoral.Mas o meu patrão é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75% daquilo que me paga para a Segurança Social. E ainda 33% para o Estado (50%+23,75%+33%).Além disso quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.Minha sugestão, é invertermos os percentuais.
A partir do próximo mês autorizo o Governo a ficar com 100% do meu salário.Funcionaria assim:
Eu fico com 6,75% limpinhos, sem qualquer ónus, mas o Governo fica com as minhas contas de:- Despesas Escolares,- Seguro de Saúde,- Despesas médicas, - Medicamentos,- Materiais escolares,- Condomínio,- Água,- Luz,- Telefone,- Energia,- Supermercado,- Gasolina,- Vestuário,- Lazer,- Portagens,- Cultura,- Contribuição Autárquica,- IVA,- IRS,- IRC,- Imposto de Circulação- Segurança Social,- Seguro do carro,- Inspecção Periódica,- Taxas do Lixo, reciclagem, esgotos e saneamento- E todas as outras taxas que nos impinge todos os dias.- Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura seja repentinamente criada por qualquer dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.Um abraço Sr. Primeiro-Ministro e muito boa sorte, do fundo do coração!Ass: Um trabalhador que já não mais sabe o que fazer para conseguir sobreviver com dignidade.PS: Quem sabe, podemos até negociar a percentagem!!!"
quinta-feira, junho 02, 2005
Os fundamentos do "sim"
Os diferentes caminhos e diferentes resultados dos processos de ratificação do projecto de constituição europeia nos diversos países demonstram um total divórcio entre as elites políticas e a população. Qualquer que seja o país dos 25 que tomemos em análise, a classe política é sempre mais favorável (quase sempre maioritariamente favorável) à aprovação da constituição do que a respectiva população. E qualquer que seja o país para que olhemos, a população é sempre mais resistente (em vários casos maioritariamente) do que a sua classe política.
Normalmente infere-se daqui que a população está certa e a classe política está errada. Mas não é necessariamente assim. É verdade que a Europa tem sido construída com um défice democrático que só podia dar este resultado. É verdade que a Europa tem sido demasiado tecnocrática e insuficientemente política e social. Nisso toda gente parece de acordo. Mas o facto de ter havido erros pelo caminho não obriga a que mudemos o caminho; obriga apenas a que não cometamos os mesmos erros no futuro. Ou seja: a ideia subjacente à construção de uma unidade europeia permanece válida e é em nome dessa ideia que a classe política europeia responde “sim”. Ou seja, ainda, a classe política responde “sim” porque é capaz de um raciocínio político de médio e longo prazo e em nome dele supera as limitações do presente e os erros do passado (de que estou convencido que, no seu todo, estará consciente). A população responde "não" porque é incapaz de ver para além do presente e do passado e naturalmente não gosta daquilo que vê.
O que nos leva para a questão da eficácia da democracia. A democracia é o melhor dos sistemas, mas não é perfeita. A democracia é um valor intrínseco das sociedades ocidentais e não pode ser posta em causa. Mas ela não é um fim em si mesma. É o melhor dos mecanismos conhecidos para que as decisões colectivas sejam as mais correctas segundo a maior parte dos seus membros. É o melhor instrumento conhecido para realizar a felicidade colectiva, mas é apenas um instrumento para este fim.
Para além disso, a função das elites políticas não é apenas interpretar democraticamente a vontade colectiva (expressa em eleições ou referendos) e dirigir os países em função disso; é também propor, de uma forma voluntarista, caminhos que não estão imediatamente à vista. Felizmente a Europa vive hoje em democracia, o mundo é hoje mais democrático do que alguma vez foi, mas a verdade é que ao longo da história muitas decisões importantes para a evolução das sociedades foram tomadas sem consulta popular e por voluntarismo da elites políticas. Percorremos um longo caminho até chegar aqui e esse caminho não foi sempre democrático. Aliás, não custa conceber que em muitos momentos e locais da história, o ideal democrático só subsistiu e vingou porque as elites políticas por ele lutaram.
Hoje, no conforto democrático das modernas sociedades ocidentais e europeias, tendemos a esquecer que há vida para além das eleições e referendos. Num mundo económica e politicamente globalizado, a integração europeia é um dos poucos (senão o único) caminho que permite aos estados europeus manter alguma rédea nos seus destinos. Mas isso não é imediatamente perceptível. Por isso é que o ideal europeu, refundado ou não, deve continuar deve continuar para além da presente crise.
Como facilmente se percebe, tanto em França como na Holanda e tanto em Portugal como na Espanha (só para dar exemplos com resultado diferentes), o "não" congrega um conjunto de motivações que não têm directamente que ver com o projecto de constituição ou sequer com o processo de integração europeia. Isso é "normal" numa consulta popular (sobretudo quando está em causa algo tão complexo), mas, sendo "normal", não deixa de ser "imperfeito". Perfeito seria que a população conseguisse motivar o seu voto, qualquer que ele fosse, apenas pelo que realmente está em causa.
É por isso que existe uma função de mediação na representação política. Não é praticável perguntar à população sempre que é preciso tomar uma decisão nem é certo que a população tome sempre a decisão certa. Por isso é que existe uma classe política eleita que é mandatada para tomar decisões em nome da população. Por uma razão prática, mas também por uma razão de racionalização do processo político. E é por isso que países insuspeitamente democráticos, como a actual Alemanha, não têm sequer a figura do referendo; é porque os seus eleitos políticos são mandatados também para decidir nesta matéria, que, aliás, se o sistema político tiver funcionado correctamente, terá sido discutida e esclarecida em campanha eleitoral.
Significa isto que, em vez de um referendo, deviam ser os políticos portugueses a decidir esta matéria? Claro que não! Não existe questão mais "referendável" do que esta, na qual, obviamente, está em causa a soberania nacional. Não só acharia inaceitável a não realização de um referendo, como estaria certamente a exigir um se fosse cidadão alemão. Mas acredito na ideia europeia e estou convencido que o caminho é para a frente e não para trás. Dar passos no sentido da partilha de soberania requer coragem porque oferece muitos riscos e poucas garantias, sobretudo tendo por referência o que tem sido a Europa nos últimos anos. Por isso é a opção mais difícil. E por isso a classe política entende-a melhor que a população. O "não" multiplicado pode parar a Europa; o "sim" permite continuar um processo no qual todos somos afinal agentes.
É por isso que me parece sintomático que o único dos três referendos já realizados a eleger o "sim" tenha ocorrido em Espanha. Não existe na Europa país mais cioso da sua "nacionalidade" do que Espanha. Mas também não existe na Europa país mais experimentado na convivência entre "nacionalidades" diferentes e até rivais do que Espanha. Ou seja, Espanha é talvez o único país Europeu para o qual a ideia de uma federação (mesmo que sem uma federação de facto) não é uma coisa nova. Para todos os restantes países europeus isso é uma coisa nova. E as coisas novas naturalmente assustam. Mas, no processo de construção de uma identidade europeia, o actual "não", tanto quanto os erros de política europeia que em boa parte lhe deram origem, não é mais do que uma crise de adolescência. Que naturalmente tem que ser ultrapassada para se chegar à idade adulta.
Normalmente infere-se daqui que a população está certa e a classe política está errada. Mas não é necessariamente assim. É verdade que a Europa tem sido construída com um défice democrático que só podia dar este resultado. É verdade que a Europa tem sido demasiado tecnocrática e insuficientemente política e social. Nisso toda gente parece de acordo. Mas o facto de ter havido erros pelo caminho não obriga a que mudemos o caminho; obriga apenas a que não cometamos os mesmos erros no futuro. Ou seja: a ideia subjacente à construção de uma unidade europeia permanece válida e é em nome dessa ideia que a classe política europeia responde “sim”. Ou seja, ainda, a classe política responde “sim” porque é capaz de um raciocínio político de médio e longo prazo e em nome dele supera as limitações do presente e os erros do passado (de que estou convencido que, no seu todo, estará consciente). A população responde "não" porque é incapaz de ver para além do presente e do passado e naturalmente não gosta daquilo que vê.
O que nos leva para a questão da eficácia da democracia. A democracia é o melhor dos sistemas, mas não é perfeita. A democracia é um valor intrínseco das sociedades ocidentais e não pode ser posta em causa. Mas ela não é um fim em si mesma. É o melhor dos mecanismos conhecidos para que as decisões colectivas sejam as mais correctas segundo a maior parte dos seus membros. É o melhor instrumento conhecido para realizar a felicidade colectiva, mas é apenas um instrumento para este fim.
Para além disso, a função das elites políticas não é apenas interpretar democraticamente a vontade colectiva (expressa em eleições ou referendos) e dirigir os países em função disso; é também propor, de uma forma voluntarista, caminhos que não estão imediatamente à vista. Felizmente a Europa vive hoje em democracia, o mundo é hoje mais democrático do que alguma vez foi, mas a verdade é que ao longo da história muitas decisões importantes para a evolução das sociedades foram tomadas sem consulta popular e por voluntarismo da elites políticas. Percorremos um longo caminho até chegar aqui e esse caminho não foi sempre democrático. Aliás, não custa conceber que em muitos momentos e locais da história, o ideal democrático só subsistiu e vingou porque as elites políticas por ele lutaram.
Hoje, no conforto democrático das modernas sociedades ocidentais e europeias, tendemos a esquecer que há vida para além das eleições e referendos. Num mundo económica e politicamente globalizado, a integração europeia é um dos poucos (senão o único) caminho que permite aos estados europeus manter alguma rédea nos seus destinos. Mas isso não é imediatamente perceptível. Por isso é que o ideal europeu, refundado ou não, deve continuar deve continuar para além da presente crise.
Como facilmente se percebe, tanto em França como na Holanda e tanto em Portugal como na Espanha (só para dar exemplos com resultado diferentes), o "não" congrega um conjunto de motivações que não têm directamente que ver com o projecto de constituição ou sequer com o processo de integração europeia. Isso é "normal" numa consulta popular (sobretudo quando está em causa algo tão complexo), mas, sendo "normal", não deixa de ser "imperfeito". Perfeito seria que a população conseguisse motivar o seu voto, qualquer que ele fosse, apenas pelo que realmente está em causa.
É por isso que existe uma função de mediação na representação política. Não é praticável perguntar à população sempre que é preciso tomar uma decisão nem é certo que a população tome sempre a decisão certa. Por isso é que existe uma classe política eleita que é mandatada para tomar decisões em nome da população. Por uma razão prática, mas também por uma razão de racionalização do processo político. E é por isso que países insuspeitamente democráticos, como a actual Alemanha, não têm sequer a figura do referendo; é porque os seus eleitos políticos são mandatados também para decidir nesta matéria, que, aliás, se o sistema político tiver funcionado correctamente, terá sido discutida e esclarecida em campanha eleitoral.
Significa isto que, em vez de um referendo, deviam ser os políticos portugueses a decidir esta matéria? Claro que não! Não existe questão mais "referendável" do que esta, na qual, obviamente, está em causa a soberania nacional. Não só acharia inaceitável a não realização de um referendo, como estaria certamente a exigir um se fosse cidadão alemão. Mas acredito na ideia europeia e estou convencido que o caminho é para a frente e não para trás. Dar passos no sentido da partilha de soberania requer coragem porque oferece muitos riscos e poucas garantias, sobretudo tendo por referência o que tem sido a Europa nos últimos anos. Por isso é a opção mais difícil. E por isso a classe política entende-a melhor que a população. O "não" multiplicado pode parar a Europa; o "sim" permite continuar um processo no qual todos somos afinal agentes.
É por isso que me parece sintomático que o único dos três referendos já realizados a eleger o "sim" tenha ocorrido em Espanha. Não existe na Europa país mais cioso da sua "nacionalidade" do que Espanha. Mas também não existe na Europa país mais experimentado na convivência entre "nacionalidades" diferentes e até rivais do que Espanha. Ou seja, Espanha é talvez o único país Europeu para o qual a ideia de uma federação (mesmo que sem uma federação de facto) não é uma coisa nova. Para todos os restantes países europeus isso é uma coisa nova. E as coisas novas naturalmente assustam. Mas, no processo de construção de uma identidade europeia, o actual "não", tanto quanto os erros de política europeia que em boa parte lhe deram origem, não é mais do que uma crise de adolescência. Que naturalmente tem que ser ultrapassada para se chegar à idade adulta.
segunda-feira, maio 30, 2005
Sem comentários
João Marcelino, director do Record
"O Correio da Manhã é o título que faz o melhor jornalismo em Portugal."
"Não queremos ser um jornal de referência, mas sim de preferência."
"Nós não podemos ser um desses jornais 'ditos de referência', porque esse é o tipo de jornal mais fácil de fazer. Eu fá-lo-ia muito facilmente e provavelmente até venderia mais."
in Meios & Publicidade, 27 Maio 2005
"O Correio da Manhã é o título que faz o melhor jornalismo em Portugal."
"Não queremos ser um jornal de referência, mas sim de preferência."
"Nós não podemos ser um desses jornais 'ditos de referência', porque esse é o tipo de jornal mais fácil de fazer. Eu fá-lo-ia muito facilmente e provavelmente até venderia mais."
in Meios & Publicidade, 27 Maio 2005
sexta-feira, maio 27, 2005
Sócrates vs. Défice
As medidas apresentadas por José Sócrates para combater o défice no curto prazo e lançar as bases de uma política que o corrija no médio prazo suscitam várias reflexões:
1. Ao contrário do que seria de supor num conjunto de medidas tão decisivo e potencialmente divisor, vi mais economistas a elogiarem do que a criticarem. É verdade que muitos disseram "sim, mas". Mas a verdade às vezes esquecida é que "sim, mas" também é "sim"...
2. Tal como seria de supor vi vários parceiros sociais - sobretudo os ligados aos sindicatos - a reagirem negativamente às medidas anunciadas. E isso é bom. Porque não há qualquer medida efectiva de correcção do défice que não afecte alguns ou vários sectores da sociedade. Que eles reajam é um indício claro de que as medidas anunciadas podem de facto ter os efeitos pretendidos;
3. O enunciado de medidas de José Sócrates tem ainda, à boa maneira socialista, mais palavras do que decisões. O anunciado aumento de impostos terá reflexos no curto prazo (sendo que também pode "arrefecer" ainda mais a economia) mas apenas no plano da receita. A maior parte dos enunciados relativos ao corte de despesa - que, como todos os economistas reafirmam, é o que verdadeiramente importa - correspondem tão só a palavras (com excepção da questão das reformas). E as palavras, como se sabe, leva-as o vento. Este enunciado de medidas abre portanto uma janela de esperança nesse sentido, mas não convence totalmente da capacidade de Sócrates para levar o combate ao défice para o "nível" seguinte;
4. Sócrates teve coragem para se desdizer na questão da subida de impostos, e isso, ao contrário do que pensa a maior parte dos jornalistas, é um facto a elogiar e não a censurar. É fácil justificar essa mudança perante a opinião pública com o montante do défice (alegando, mesmo de forma "forçada", que o seu montante não era inteiramente conhecido) e assim aproveitar um mecanismo capaz de gerar resultados a curto prazo. Não o aproveitar por causa de declarações proferidas em campanha eleitoral, isso sim seria um "crime" de lesa-pátria que dificilmente se aceitaria;
5. As Scuts ficaram de fora das medidas anunciadas pelo Governo por razões puramente políticas, uma vez que toda a gente percebe que não há qualquer justificação económica que as sustente, sobretudo num quadro orçamental como aquele que vivemos. E essas razões políticas não se prendem, sequer, sobretudo, com a necessidade de manter uma promessa eleitoral tão repetida. Se fosse isso, Sócrates até poderia - e deveria - desdizer-se. As Scuts foram mantidas à margem das medidas de controle orçamental de forma a controlar os danos gerados por esse conjunto de medidas na opinião pública e para não criar focos de contestação regional a pouco tempo das eleições autárquicas. Se for inteligente, Sócrates encomenda um estudo "independente" (na verdade nem precisaria de aspas pois qualquer estudo lhe daria os mesmos resultados) que lhe dê argumentos para, senão acabar com as Scuts, pelo menos "inventar" uma forma de as tornar menos onerosas, logo após as autárquicas;
6. A melhor prova de que estas medidas vão no sentido certo é o facto de o próprio PSD e Marques Mendes terem reagido com um "sim, mas" próprio de quem sabe que não tem muito por onde pegar. O "mas" do PSD é precisamente aquele que deveria ser: a falta de coragem política para mexer nas Scuts. Mas, no resto, o PSD sabe que o caminho anunciado é o correcto. E por isso - o elogio é merecido - fica-lhe bem e revela sentido de estado responder "sim, mas" às medidas agora anunciadas pelo Governo;
7. E, por fim, o mais importante. O problema é o mesmo (e está pior), mas esta é uma maneira bastante diferente de o enfrentar daquela que foi protagonizada por Manuela Ferreira Leite e Durão Barroso (já nem sequer se fala de Santana e Bagão...). É verdade que um acréscimo de IVA é uma receita tão extraordinária como as extraordinárias receitas de Ferreira Leite. Mas neste conjunto de medidas não há só medidas-travão, há também medidas-acelerador e várias promessas de reais medidas de fundo. Se estas vão ou não ser cumpridas só o saberemos mais para a frente. Mas, para já, esta parece ser uma maneira mais construtiva de enfrentar o problema. Por isso, ao contrário do que já vi escrito algures, não me parece que aqui tenha acabado o estado de graças de Sócrates. O que me parece, isso sim, é que, contra todas as expectativas e previsões, Sócrates conseguiu apresentar um completo pacote de contenção orçamental sem afectar significativamente a sua imagem e a do seu governo junto da opinião pública. E isso é um resultado político admirável.
1. Ao contrário do que seria de supor num conjunto de medidas tão decisivo e potencialmente divisor, vi mais economistas a elogiarem do que a criticarem. É verdade que muitos disseram "sim, mas". Mas a verdade às vezes esquecida é que "sim, mas" também é "sim"...
2. Tal como seria de supor vi vários parceiros sociais - sobretudo os ligados aos sindicatos - a reagirem negativamente às medidas anunciadas. E isso é bom. Porque não há qualquer medida efectiva de correcção do défice que não afecte alguns ou vários sectores da sociedade. Que eles reajam é um indício claro de que as medidas anunciadas podem de facto ter os efeitos pretendidos;
3. O enunciado de medidas de José Sócrates tem ainda, à boa maneira socialista, mais palavras do que decisões. O anunciado aumento de impostos terá reflexos no curto prazo (sendo que também pode "arrefecer" ainda mais a economia) mas apenas no plano da receita. A maior parte dos enunciados relativos ao corte de despesa - que, como todos os economistas reafirmam, é o que verdadeiramente importa - correspondem tão só a palavras (com excepção da questão das reformas). E as palavras, como se sabe, leva-as o vento. Este enunciado de medidas abre portanto uma janela de esperança nesse sentido, mas não convence totalmente da capacidade de Sócrates para levar o combate ao défice para o "nível" seguinte;
4. Sócrates teve coragem para se desdizer na questão da subida de impostos, e isso, ao contrário do que pensa a maior parte dos jornalistas, é um facto a elogiar e não a censurar. É fácil justificar essa mudança perante a opinião pública com o montante do défice (alegando, mesmo de forma "forçada", que o seu montante não era inteiramente conhecido) e assim aproveitar um mecanismo capaz de gerar resultados a curto prazo. Não o aproveitar por causa de declarações proferidas em campanha eleitoral, isso sim seria um "crime" de lesa-pátria que dificilmente se aceitaria;
5. As Scuts ficaram de fora das medidas anunciadas pelo Governo por razões puramente políticas, uma vez que toda a gente percebe que não há qualquer justificação económica que as sustente, sobretudo num quadro orçamental como aquele que vivemos. E essas razões políticas não se prendem, sequer, sobretudo, com a necessidade de manter uma promessa eleitoral tão repetida. Se fosse isso, Sócrates até poderia - e deveria - desdizer-se. As Scuts foram mantidas à margem das medidas de controle orçamental de forma a controlar os danos gerados por esse conjunto de medidas na opinião pública e para não criar focos de contestação regional a pouco tempo das eleições autárquicas. Se for inteligente, Sócrates encomenda um estudo "independente" (na verdade nem precisaria de aspas pois qualquer estudo lhe daria os mesmos resultados) que lhe dê argumentos para, senão acabar com as Scuts, pelo menos "inventar" uma forma de as tornar menos onerosas, logo após as autárquicas;
6. A melhor prova de que estas medidas vão no sentido certo é o facto de o próprio PSD e Marques Mendes terem reagido com um "sim, mas" próprio de quem sabe que não tem muito por onde pegar. O "mas" do PSD é precisamente aquele que deveria ser: a falta de coragem política para mexer nas Scuts. Mas, no resto, o PSD sabe que o caminho anunciado é o correcto. E por isso - o elogio é merecido - fica-lhe bem e revela sentido de estado responder "sim, mas" às medidas agora anunciadas pelo Governo;
7. E, por fim, o mais importante. O problema é o mesmo (e está pior), mas esta é uma maneira bastante diferente de o enfrentar daquela que foi protagonizada por Manuela Ferreira Leite e Durão Barroso (já nem sequer se fala de Santana e Bagão...). É verdade que um acréscimo de IVA é uma receita tão extraordinária como as extraordinárias receitas de Ferreira Leite. Mas neste conjunto de medidas não há só medidas-travão, há também medidas-acelerador e várias promessas de reais medidas de fundo. Se estas vão ou não ser cumpridas só o saberemos mais para a frente. Mas, para já, esta parece ser uma maneira mais construtiva de enfrentar o problema. Por isso, ao contrário do que já vi escrito algures, não me parece que aqui tenha acabado o estado de graças de Sócrates. O que me parece, isso sim, é que, contra todas as expectativas e previsões, Sócrates conseguiu apresentar um completo pacote de contenção orçamental sem afectar significativamente a sua imagem e a do seu governo junto da opinião pública. E isso é um resultado político admirável.
A blogosfera e a imprensa desportiva
O balanço da Superliga feito pelo Terceiro Anel corresponde mais ou menos a uma das coisas que eu acho que os jornais diários desportivos deviam fazer e não fazem, ocupados com ninharias e "informação" popular. Normalmente consultava um ou outro site dos diários desportivos para saber as novidades da "bola", mas de há alguns meses para cá só vou ao Terceiro Anel, onde encontro as informações que realmente importam, as crónicas de jogos que conseguem ver a realidade sem o prisma deformador da clubite (ou das audiências) e as análises que, como esta, realmente vão ao fundo das questões.
Não conheço os autores do blogue e reconheço que posso estar equivocado quanto à solidez profissional e deontológica da sua proposta informativa. Mas, como consumidor de notícias - de todas as notícias, incluindo desportivas - encontro ali mais qualidade e profundidade que nos jornais em papel. Na verdade, parece-me que o Terceiro Anel preenche um espaço que se encontra desocupado, seja por inépcia ou distração, seja por desinteresse comercial dos grandes jornais. E que um blogue seja alternativo ou concorrente dos jornais (e não apenas complementar) é ao mesmo tempo o melhor elogio ao blogue e a maior crítica aos jornais.
Não conheço os autores do blogue e reconheço que posso estar equivocado quanto à solidez profissional e deontológica da sua proposta informativa. Mas, como consumidor de notícias - de todas as notícias, incluindo desportivas - encontro ali mais qualidade e profundidade que nos jornais em papel. Na verdade, parece-me que o Terceiro Anel preenche um espaço que se encontra desocupado, seja por inépcia ou distração, seja por desinteresse comercial dos grandes jornais. E que um blogue seja alternativo ou concorrente dos jornais (e não apenas complementar) é ao mesmo tempo o melhor elogio ao blogue e a maior crítica aos jornais.
segunda-feira, maio 16, 2005
Voto pela internet
Na última newsletter do Obercom vem um link interessante paraum projecto europeu de voto pela internet. Ou muito me engano ou este tema ainda vai estar na ordem do dia. Mais cedo do que se imagina.
domingo, maio 15, 2005
A "domesticação" da blogosfera
Fico a saber pelo Abnegado que a Piaggio criou, nos EUA, um blogue sobre estilos de vida associados ao produto que será escrito pelos seus proprietários. Os autores do blogue não serão pagos, mas terão acesso a material promocional da marca assim como aos eventos por ela organizados.
A ideia é interessante e consigo imaginar numerosos usos na Europa para uma miríade de produtos de todo o tipo. Mas demonstra que a realidade dos blogues está ainda em integração na sociedade. Neste caso em integração com o mundo dos negócios. Como facilmente se compreende isto é a blogosfera a ser "domesticada".
No extremo oposto, o Abnegado também cita um blogue que reúne tudo o que seja pouco abonatório para a Starbucks, apresentando como lema "monitoring America's favorite drug dealer". Mais vale um blogue destes do que dez dos outros, mas suspeito que nos anos mais próximos veremos nascer dez dos outros por cada um destes.
A ideia é interessante e consigo imaginar numerosos usos na Europa para uma miríade de produtos de todo o tipo. Mas demonstra que a realidade dos blogues está ainda em integração na sociedade. Neste caso em integração com o mundo dos negócios. Como facilmente se compreende isto é a blogosfera a ser "domesticada".
No extremo oposto, o Abnegado também cita um blogue que reúne tudo o que seja pouco abonatório para a Starbucks, apresentando como lema "monitoring America's favorite drug dealer". Mais vale um blogue destes do que dez dos outros, mas suspeito que nos anos mais próximos veremos nascer dez dos outros por cada um destes.
sexta-feira, maio 13, 2005
Passe curto
Para provar que as boas crónicas não se medem aos palmos, três exemplos do que escreve Ferreira Fernandes no Record todos os dias.
“Depois de uma vida de aventura, Buffalo Bill montou um circo. Ele que cavalgou 'mustangs' do Pony Express, conduziu diligências no Oeste, lutou contra índios, ele, que fez coisas boas e más, mas autênticas, armado em fiteiro! No circo, até a Rainha Victoria o aplaudiu, mas que decadência!
Bufallo Bill tinha uma desculpa: a vida de aventura não lhe dera dinheiro. Mas custa ver heróis acabar assim. É por isso que eu suspiro de alívio ao saber que o Urawa Reds Diamonds, um circo japonês, que passa por ser clube de futebol, não pensa contratar Figo.”
Sexta-Feira, 13 de Maio
“Talvez um duelo, no próximo sábado. O encontro de dois jogadores fundamentais. O retomar dos embates épicos do futebol: Vicente contra Pelé, Eusébio contra Bobby Moore, Cruyff contra Passarella... E, porque se trata de um Benfica-Sporting, lembro Humberto Coelho contra Jordão!
Na Luz, o duelo vai repetir-se. Um, lutando vigorosamente para que as avançadas do Benfica surtam efeito. O outro, colocando todo o seu talento para que a defesa do Sporting seja muro inviolado. Nem durmo, esperando o duelo de sábado: Hugo, pelo Benfica, Karadas, pelo Sporting!”
Quarta-Feira, 11 de Maio
“Então, Deus pensou fazer Liedson. No primeiro dia, caprichou: fez-lhe um pé direito celestial. No segundo dia, já não foi tão perfeito mas ainda fez um maravilhoso pé esquerdo, quem dera muitos dextros tê-lo assim. O terceiro dia Deus dedicou-o às duas pernas, fê-las para arranques irresistíveis.
No quarto dia, Deus atirou-se à bacia, permitindo-lhe rotações quase impossíveis. Subindo sempre, no quinto dia, Deus ocupou-se dos pulmões, pujantes. Antes de chegar à cabeça, o sexto dia foi todo para um dedicado coração. Ao sétimo dia, Deus descansou.”
Terca-Feira, 10 de Maio de 2005
“Lembro-me da velha frase: "uuu bdc UUU!". No dias de hoje é uma frase que se entende mal. E não se entende mal só porque tem de ser decifrada e lida com a pronúncia da minha terra (angolana): "Os piqueno bedece os gránde!"
Quer dizer, "os pequenos obedecem aos grandes!". Isto entende-se mal sobretudo por outra razão: é porque é uma frase muito, muito antiga.
Do tempo em que o Benfica não perdia tão naturalmente com o Penafiel nem o Porto empatava tão naturalmente com o Moreirense. Hoje, uma frase moderna seria assim: "UUU?!!!" Sim, o que é isso?”
Segunda-Feira, 9 de Maio
“Depois de uma vida de aventura, Buffalo Bill montou um circo. Ele que cavalgou 'mustangs' do Pony Express, conduziu diligências no Oeste, lutou contra índios, ele, que fez coisas boas e más, mas autênticas, armado em fiteiro! No circo, até a Rainha Victoria o aplaudiu, mas que decadência!
Bufallo Bill tinha uma desculpa: a vida de aventura não lhe dera dinheiro. Mas custa ver heróis acabar assim. É por isso que eu suspiro de alívio ao saber que o Urawa Reds Diamonds, um circo japonês, que passa por ser clube de futebol, não pensa contratar Figo.”
Sexta-Feira, 13 de Maio
“Talvez um duelo, no próximo sábado. O encontro de dois jogadores fundamentais. O retomar dos embates épicos do futebol: Vicente contra Pelé, Eusébio contra Bobby Moore, Cruyff contra Passarella... E, porque se trata de um Benfica-Sporting, lembro Humberto Coelho contra Jordão!
Na Luz, o duelo vai repetir-se. Um, lutando vigorosamente para que as avançadas do Benfica surtam efeito. O outro, colocando todo o seu talento para que a defesa do Sporting seja muro inviolado. Nem durmo, esperando o duelo de sábado: Hugo, pelo Benfica, Karadas, pelo Sporting!”
Quarta-Feira, 11 de Maio
“Então, Deus pensou fazer Liedson. No primeiro dia, caprichou: fez-lhe um pé direito celestial. No segundo dia, já não foi tão perfeito mas ainda fez um maravilhoso pé esquerdo, quem dera muitos dextros tê-lo assim. O terceiro dia Deus dedicou-o às duas pernas, fê-las para arranques irresistíveis.
No quarto dia, Deus atirou-se à bacia, permitindo-lhe rotações quase impossíveis. Subindo sempre, no quinto dia, Deus ocupou-se dos pulmões, pujantes. Antes de chegar à cabeça, o sexto dia foi todo para um dedicado coração. Ao sétimo dia, Deus descansou.”
Terca-Feira, 10 de Maio de 2005
“Lembro-me da velha frase: "uuu bdc UUU!". No dias de hoje é uma frase que se entende mal. E não se entende mal só porque tem de ser decifrada e lida com a pronúncia da minha terra (angolana): "Os piqueno bedece os gránde!"
Quer dizer, "os pequenos obedecem aos grandes!". Isto entende-se mal sobretudo por outra razão: é porque é uma frase muito, muito antiga.
Do tempo em que o Benfica não perdia tão naturalmente com o Penafiel nem o Porto empatava tão naturalmente com o Moreirense. Hoje, uma frase moderna seria assim: "UUU?!!!" Sim, o que é isso?”
Segunda-Feira, 9 de Maio
A ocasião faz o ladrão?
Dizer que o facto de haver um período de tempo demasiado longo entre as eleições e a tomada de posse de um novo governo é um convite às decisões ilegitimas de última hora do governo cessante é o mesmo que dizer que a ocasião faz o ladrão. Não faz. O roubo é que faz o ladrão. A ocasião não tem nada que ver com isso.
Por toda uma série de razões, uma maior rapidez na tomada de posse de um novo governo era de todo recomendável para o nosso sistema político. Mas essa razão não é uma delas. Não pode ser.
Por toda uma série de razões, uma maior rapidez na tomada de posse de um novo governo era de todo recomendável para o nosso sistema político. Mas essa razão não é uma delas. Não pode ser.
O financiamento dos partidos
Toda a gente afirma sem problemas que os partidos vivem acima das suas posses e recolhem fundos para as campanhas de formas senão ilícitas, pelo menos dúbias. Ricardo Costa, da SIC Notícias afirmou (eu vi) que PS, PSD e PP, nenhum deles respeitava as limitações impostas ao financiamento partidário e estava pronto a afirmá-lo em qualquer barra de tribunal.
Mas, se assim é, quem bloqueia a mudança? Os próprios partidos? E será que não há quem nos partidos tenha a visão suficiente para perceber que esta é a hora de dar o passo em frente na credibilização do sistema partidário? Os partidos políticos já são hoje farrapos de credibilidade. Mas ficarão tanto mais "irrecuperáves" quanto mais for o tempo que passe sem que sejam capazes de se pôr a si próprios no banco dos réus pelos financiamentos ilegitimos do passado e de legislar no sentido de isso não voltar a acontecer no futuro.
Mas, se assim é, quem bloqueia a mudança? Os próprios partidos? E será que não há quem nos partidos tenha a visão suficiente para perceber que esta é a hora de dar o passo em frente na credibilização do sistema partidário? Os partidos políticos já são hoje farrapos de credibilidade. Mas ficarão tanto mais "irrecuperáves" quanto mais for o tempo que passe sem que sejam capazes de se pôr a si próprios no banco dos réus pelos financiamentos ilegitimos do passado e de legislar no sentido de isso não voltar a acontecer no futuro.
Paulo Portas precisa de tempo?
Paulo Portas precisa de tempo para formar uma opinião sobre o caso?
Este não é certamente o Portas que nós conhecemos. O Portas que nós conhecemos normalmente tinha opinião formada sobre os eventos muito antes de estes acontecerem...
Pode haver duas explicações para esta cautela. Ou o fumo traz fogo e os PP (os dois...) podem ser envolvidos (afinal já há muito tempo que se está à espera que estoure a bomba dos financiamentos partidários); ou então Portas já percebeu que, como sempre reclamou no caso Moderna, está a ser alvo de uma perseguição política (pessoal ou partidária?) de dimensões e perseverança tais que impõem o recato de uma estratégia de defesa bem ponderada.
Este não é certamente o Portas que nós conhecemos. O Portas que nós conhecemos normalmente tinha opinião formada sobre os eventos muito antes de estes acontecerem...
Pode haver duas explicações para esta cautela. Ou o fumo traz fogo e os PP (os dois...) podem ser envolvidos (afinal já há muito tempo que se está à espera que estoure a bomba dos financiamentos partidários); ou então Portas já percebeu que, como sempre reclamou no caso Moderna, está a ser alvo de uma perseguição política (pessoal ou partidária?) de dimensões e perseverança tais que impõem o recato de uma estratégia de defesa bem ponderada.
domingo, maio 08, 2005
Uma pequena história da blogosfera portuguesa
Através do ContraFactos & Argumentos, descobri esta pequena história da blogosfera portuguesa, bem apresenteda, concisa e eficazmente linkada. Tinha ideia de que tinha chegado há pouco, mas percebo que já passaram pelos meus olhos a maior parte dos momentos considerados marcantes. Mesmo assim não passou mais de meia dúzia de anos. Ou seja, tudo está a andar muito depressa. E cada vez mais depressa. Isso tem que ser tido em conta em todas as análises. E haverá muitas a fazer. Em contínuo porque a acção está decorrer.
Citada pelo Aviz, Million Dollar Kiss diz que os blogues "não são um 'fenômeno', seria como chamar o celular de 'fenômeno'. É apenas tecnologia" O que verdadeiramente importa é o que está por detrás deles.
Citada pelo Aviz, Million Dollar Kiss diz que os blogues "não são um 'fenômeno', seria como chamar o celular de 'fenômeno'. É apenas tecnologia" O que verdadeiramente importa é o que está por detrás deles.
O cantinho do hooligan*
Tenho um problema com o corrector ortográfico do Word.
De cada vez que escrevo "Benfica campeão", ele pergunta-me:
"Tem a certeza que quer manter as duas palavras juntas?"
Clico no "Sim" e o computador continua:
"Um momento. A instalar o Word 1.0, versão 93/94."
*Título com a devida vénia ao Aviz ;)
De cada vez que escrevo "Benfica campeão", ele pergunta-me:
"Tem a certeza que quer manter as duas palavras juntas?"
Clico no "Sim" e o computador continua:
"Um momento. A instalar o Word 1.0, versão 93/94."
*Título com a devida vénia ao Aviz ;)
Serviço público
Para manter a rota no complexo mundo da música, aqui está um excelente mapa musical.
sexta-feira, maio 06, 2005
A revolta dos dinossauros
É uma profunda desilusão que a possibilidade de candidaturas independentes às autarquias esteja apenas a gerar efeitos contrários aos pretendidos.
Se o que se pretendia com essa reforma era aproximar o poder dos cidadãos, o seu resultado ameaça converter-se numa fragilização dos partidos, não para trazer para fora deles aquilo que eles têm de melhor, mas aquilo que eles têm de pior. Tendo como pano de fundo a limitação de mandatos que está no horizonte, Valentim Loureiro, Isaltino Morais e Alfredo Barroso (provando que este não é um problema de um partido) podem nesta eleição abrir o caminho a uma vaga de candidaturas autárquicas à revelia dos partidos. Se ganharem provam que o problema não está nos partidos: está nos eleitores. E demonstram que por isso mesmo não basta uma boa lei para se obter uma boa cidadania. Funciona precisamente em contrário e tem ainda um corolário lógico: se não houver uma boa cidadania é indiferente que haja boas leis.
P.S. (iniciais de post scriptum…)
Quem a esta hora deve estar a meditar nisto tudo é PSL, que provavelmente nem se lembrou desta possibilidade.
Se o que se pretendia com essa reforma era aproximar o poder dos cidadãos, o seu resultado ameaça converter-se numa fragilização dos partidos, não para trazer para fora deles aquilo que eles têm de melhor, mas aquilo que eles têm de pior. Tendo como pano de fundo a limitação de mandatos que está no horizonte, Valentim Loureiro, Isaltino Morais e Alfredo Barroso (provando que este não é um problema de um partido) podem nesta eleição abrir o caminho a uma vaga de candidaturas autárquicas à revelia dos partidos. Se ganharem provam que o problema não está nos partidos: está nos eleitores. E demonstram que por isso mesmo não basta uma boa lei para se obter uma boa cidadania. Funciona precisamente em contrário e tem ainda um corolário lógico: se não houver uma boa cidadania é indiferente que haja boas leis.
P.S. (iniciais de post scriptum…)
Quem a esta hora deve estar a meditar nisto tudo é PSL, que provavelmente nem se lembrou desta possibilidade.
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